Urgente
Publicidade
Anuncie no Manchete Brasil

Sua marca em destaque nas principais noticias.

Conheca os formatos

Por que reação negativa da Europa à intervenção de Trump na Copa não preocupa o presidente da Fifa

Fatos internacionais, diplomacia, conflitos e acontecimentos globais de grande impacto.

Por que reação negativa da Europa à intervenção de Trump na Copa não preocupa o presidente da Fifa

Cenário Internacional e Diplomacia

O cenário geopolítico global apresenta novos desdobramentos importantes que movimentam a diplomacia, relações comerciais e acordos multilaterais entre nações nas últimas horas.

Gianni Infantino é presidente da Fifa desde 2016. Getty Images via BBC Gianni Infantino é presidente da Fifa há 10 anos e, no ano que vem, ele concorre à reeleição. Mas a gestão de Infantino tem sido cada vez mais polêmica — do Prêmio da Paz da Fifa concedido ao presidente americano Donald Trump aos preços exorbitantes dos ingressos para a Copa do Mundo. Mas será que a decisão sem precedentes de cancelar o cartão vermelho dado ao atacante americano Folarin Balogun poderá ser o ponto de virada? Balogun, o craque dos EUA, com três gols marcados nesta Copa, foi expulso no jogo contra a Bósnia e Herzegovina. Ele deveria ter ficado de fora da partida de segunda-feira (06/07) contra a Bélgica, mas teve seu cartão vermelho suspenso pela Fifa. Na partida, os americanos acabaram derrotados por 4 a 1 pela Bélgica e foram eliminados do torneio que estão sediando. Apesar de ter sido expulso, Balogun esteve em campo — mesmo que as regras da Copa do Mundo não permitam recursos contra cartões vermelhos. Na segunda-feira, mais de 24 horas após sua decisão inicial, a Fifa divulgou um comunicado de 871 palavras que pouco esclareceu os motivos da decisão. Mas outra pessoa também se pronunciou para dar esclarecimentos. "Fui eu quem os convenceu a fazer isso", disse Donald Trump, quando questionado se ele havia entrado em contato com Infantino por telefone. Trump disse que "tudo" o que fez foi pedir uma revisão. Ele afirmou que não disse a Infantino para suspender a proibição de Balogun. Mas o simples fato de tal intervenção ter ocorrido é motivo de grande preocupação em todo o futebol. Entre os americanos, a narrativa tem sido de que houve injustiça contra os EUA, sugerindo que Balogun não deveria ficar de fora da partida contra a Bélgica. Alguns defendem que, ao ser expulso contra a Bósnia e Herzegovina, ter perdido o resto daquela partida já seria punição suficiente. Esses sentimentos foram expressados por Trump. Infantino rejeitou qualquer sugestão de interferência política, insistindo que a comissão disciplinar da entidade é independente. Mas a percepção das pessoas é igualmente importante nesse caso. A decisão não beneficiou qualquer equipe — ela ajudou a seleção dos anfitriões. E os EUA são governados por Trump — que apoia Infantino e chama o presidente da Fifa de amigo. A suspensão do cartão vermelho parecia uma espécie de indulto presidencial. "Este é o nosso esporte, não o deles", disse o ex-técnico do Liverpool, Jurgen Klopp. "Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre si, é uma loucura. Isso coloca tudo em dúvida." As consequências poderiam gerar pressão suficiente para colocar a posição de Infantino em risco? Fifa proíbe interferência política no futebol Os estatutos da FIFA são claros quanto à interferência política. Ela não é permitida. Países costumam ser suspensos do futebol internacional devido à interferência do governo nas federações nacionais de futebol. O Paquistão, por exemplo, já foi suspenso três vezes em um período de oito anos. No caso de Infantino e Trump, as regras são diferentes? O sorteio da Copa do Mundo, durante o qual Trump recebeu o primeiro Prêmio Fifa da Paz, pareceu a culminação de dois anos em que Infantino cultivou uma relação próxima com o presidente dos EUA. "O senhor sempre poderá contar, Sr. Presidente, com o meu apoio, com o apoio de toda a comunidade do futebol, para ajudá-lo a trazer paz e prosperidade ao mundo todo", disse Infantino a Trump ao entregar o prêmio. Em dezembro, o grupo de defesa dos direitos humanos FairSquare apresentou uma queixa ao comitê de ética da Fifa alegando que Infantino violou as regras da entidade sobre neutralidade política ao criar o prêmio. Sem receber resposta, no mês passado 50 deputados do Parlamento Europeu enviaram uma nova carta ao comitê de ética exigindo providências. Como em muitas situações envolvendo a Fifa, não houve resposta. Até agora, Trump não compareceu a uma única partida da Copa do Mundo. Mas ele fez sua presença ser sentida ao assumir a responsabilidade pela situação de Balogun. Foi mais um exemplo de como o futebol pode ficar em um segundo plano no jogo político. Já tínhamos visto isso acontecer com o árbitro somali Omar Artan. Artan teve sua entrada nos EUA negada por agentes de imigração, e Infantino foi acusado de perder o controle da própria Copa do Mundo. No entanto, quando foi questionado pela imprensa no mês passado — pela primeira vez em mais de três anos — sua resposta foi, na melhor das hipóteses, superficial. "Simplesmente, sabe, fiquem tranquilos, relaxem", disse Infantino sobre a situação de Artan. Esta Copa sempre esteve cercada de suspeitas e polêmicas — e raramente houve momentos de transparência. Outro exemplo foram as cinco horas de indefinição na sexta-feira passada, quando a Fifa primeiro decidiu mudar o horário de início da partida das oitavas de final entre Inglaterra e México e depois voltou atrás, fingindo que nada havia acontecido. A situação de Balogun segue o mesmo roteiro: uma decisão comunicada sem qualquer justificativa. O futebol simplesmente recebe a informação sobre uma decisão e precisa acatá-la. Polêmicas nos bastidores da Copa A entidade FairSquare acredita que apenas 10 pessoas estiveram envolvidas na criação do Prêmio da Paz da FIFA e que a decisão não foi tomada pelo Conselho da FIFA. Getty Images via BBC Se fôssemos listar todas as controvérsias recentes do futebol, este artigo seria bastante longo. Mas vamos considerar o processo de decisão das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034, há dois anos, algo que muitas vezes passa despercebido. Foi decidido que a edição de 2030 seria realizada em três continentes — África, Europa e América do Sul. Isso significava que o torneio de 2034 teria de ser realizado na Ásia ou na Oceania. Sem concorrência real, isso praticamente garantiu que a Arábia Saudita (que fica no extremo oeste da Ásia )— um país que enfrenta questionamentos sobre seu histórico de direitos humanos — seria a anfitriã. A Arábia Saudita e a Fifa, sob a gestão de Infantino, têm hoje uma relação próxima. A federação norueguesa de futebol se absteve e argumentou que o processo de candidatura enfraquecia as "reformas da Fifa para uma boa governança" e colocava em dúvida a "confiança na Fifa". Outro exemplo é o da Copa do Mundo de Clubes — que para alguns seria uma espécie de torneio de verão indesejado criado pela Fifa para ficar com uma fatia das receitas dos clubes. Sergio Marchi, presidente do sindicato global de jogadores Fifpro, afirmou no ano passado que o torneio foi criado "sem diálogo, sensibilidade e respeito". E agora temos o caso Balogun. "O futebol jamais deve se tornar um espaço para o poder político", escreveu o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter no X. Vale lembrar que Blatter foi forçado a deixar a presidência da Fifa após um escândalo de corrupção — sendo substituído por Infantino em 2016. Uefa contra Infantino? A Uefa — entidade que representa o futebol europeu — entrou na polêmica na terça-feira (07/07) ao manifestar forte oposição à decisão sobre Balogun. A entidade que governa o futebol europeu afirmou que a Fifa havia "cruzado uma linha vermelha" e descreveu a medida como uma "decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável". Essa não é a primeira vez que a Uefa entra em conflito com a Fifa. Em maio de 2025, o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, liderou um grupo de delegados europeus que abandonaram as sessões durante um intervalo do Congresso da Fifa. Infantino estava em uma viagem diplomática pelo Oriente Médio ao lado de Trump e chegou com duas horas e 17 minutos de atraso. A Uefa também tentou reforçar sua posição política durante a Copa do Mundo. Assim que o árbitro Artan desembarcou de volta em casa, na Somália, no mês passado, a Uefa anunciou que ele havia sido convidado para apitar o jogo da Supercopa da Uefa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, em 12 de agosto. E ao longo deste ano, a Uefa tem feito questão de destacar como os ingressos da Euro 2028 são baratos em comparação com os da Copa do Mundo. A entidade não introduzirá pausas para hidratação nem cartões vermelhos para jogadores que cubram a boca — duas novidades da Fifa adotadas na atual Copa. Mas vale ressaltar que o próprio Infantino veio da Uefa. Durante muitos anos, ele foi o responsável pela apresentação dos sorteios da Liga dos Campeões. Talvez ele não seja exatamente uma persona non grata na confederação europeia — ele discursou no Congresso da Uefa em fevereiro — mas há atritos óbvios. Levando tudo isso em conta, seria de se esperar que a posição de Infantino poderia estar em risco. Pelo contrário. Infantino é popular entre muitas federações ao redor do mundo — e muito disso se deve à promoção do futebol pela Fifa. O programa Fifa Forward, de Infantino, financiou projetos de futebol em todo o planeta e criou oportunidades por meio da expansão da Copa do Mundo. A Copa agora tem 16 seleções adicionais — a grande maioria delas de confederações menores. Já a Europa recebeu apenas três das vagas adicionais. Esta Copa do Mundo mostrou que as seleções da Ásia e da Concacaf ainda precisam melhorar muito para serem competitivas. Mas Infantino ofereceu uma chance a nações que antes tinham pouca esperança de disputar uma Copa do Mundo, como Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão. Apesar de todas as críticas ao formato com 48 equipes, ele estimulará nações com menos tradição a desenvolver seu futebol e se fortalecer — e será que isso não é algo positivo para o esporte em todo o mundo? Na verdade, existe um problema. Torneios como a Copa do Mundo, com seus preços exorbitantes de ingressos, financiam esses projetos. Este ano, a Fifa espera arrecadar US$ 9 bilhões. A Uefa pode se opor a muito do que a Fifa e Infantino representam, mas o futebol europeu é o mais rico do esporte e consegue, em grande medida, se financiar sozinho. O restante do futebol depende de Infantino e do dinheiro que a Fifa gera. A Fifa é composta por 211 países. Cada um deles tem direito a um voto na eleição da presidência da entidade, sendo necessários 106 votos para vencer uma eleição. Vamos analisar esses números. Em abril, a Conmebol — a confederação sul-americana — afirmou que seus 10 países apoiariam Infantino. Três semanas depois, a Confederação Africana de Futebol (CAF) confirmou o apoio unânime de suas 54 associações. Pouco tempo depois, as 47 nações da Confederação Asiática de Futebol seguiram o mesmo caminho. Com 111 votos, Infantino já é imbatível. Mesmo que a Uefa acredite ser capaz de reunir um candidato de oposição viável, a disputa já parece estar decidida. Infantino foi reeleito sem oposição em 2019 e 2023. Seria necessário algo realmente extraordinário para que alguém se candidatasse contra ele em 2027.

Publicidade
Anuncie no Manchete Brasil

Sua marca em destaque nas principais noticias.

Conheca os formatos

Impactos e Relações Globais

Analistas internacionais continuam acompanhando as repercussões e os impactos econômicos de curto prazo que esses acordos e negociações trarão para as balanças comerciais mundiais.

O Manchete Brasil segue fazendo a cobertura completa e traduzida dos principais eventos de geopolítica mundial ao longo do dia.

Publicidade
Anuncie no Manchete Brasil

Sua marca em destaque nas principais noticias.

Conheca os formatos
F

Felipe Alencar

Colaborador editorial e correspondente jornalístico especializado no portal Manchete Brasil.

Publicidade
Anuncie no Manchete Brasil

Sua marca em destaque nas principais noticias.

Conheca os formatos