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A saga de três irmãos para descobrir quem matou sua mãe após 17 anos

Fatos internacionais, diplomacia, conflitos e acontecimentos globais de grande impacto.

A saga de três irmãos para descobrir quem matou sua mãe após 17 anos

Cenário Internacional e Diplomacia

O cenário geopolítico global apresenta novos desdobramentos importantes que movimentam a diplomacia, relações comerciais e acordos multilaterais entre nações nas últimas horas.

Os três filhos de Jean Hanlon — da esquerda para a direita, Robert, Michael e David Porter — se negaram a aceitar que a causa da morte da sua mãe fosse um acidente BBC Tudo começou com uma ligação da Interpol em 2009. As autoridades entraram em contato com os pais de Jean Hanlon para informar que sua filha, de 53 anos, havia desaparecido na ilha de Creta, na Grécia. O filho caçula de Jean, Michael Porter, recebeu uma ligação do seu irmão mais velho, Robert, para dar a notícia. "Eu pensei: 'Como ela desapareceu?'", relembra ele. A vida dos três irmãos estava a ponto de mudar, de uma forma que eles nunca teriam conseguido imaginar. Agora no g1 "Automaticamente, pensei no pior, mas não sabia exatamente o que seria o pior", comenta Michael. Jean Hanlon precisava atender uma criança com dificuldades de aprendizado em Creta. E, quando ela não se apresentou, a família começou a se preocupar. "Uma das grandes virtudes da nossa mãe era sua lealdade", segundo Michael. "Ela sempre dava de tudo pelos outros e cumpria sua palavra." Jean Hanlon adorava o sol e havia começado a construir uma nova vida na ilha de Creta BBC Naquela época, Michael morava na Inglaterra, a mais de 300 km de distância dos seus dois irmãos, na Escócia. Os três pegaram um avião rumo à ilha de Creta. "Eu não diria que somos pessoas particularmente emotivas, mas aquele foi um momento intenso e emocional", relembra Michael. "Não dissemos nada. Só nos abraçamos e choramos. Foi a viagem de avião mais silenciosa da história. O que poderíamos dizer?" Eles foram informados que, na capital de Creta, Heraklion, havia sido retirado da água o corpo de uma mulher de cerca de 30 anos. Sua mãe tinha pouco mais de 50, de forma que eles estavam pesarosos pela outra família, mas ainda guardavam certa esperança. De qualquer forma, eles foram levados para verificar se aquele era o corpo de Hanlon. Foi quando Michael viu as roupas da sua mãe amontoadas e declarou reconhecê-las imediatamente. Seus irmãos Robert e David tinham experiência profissional em hospitais e tentaram prepará-lo para o que estava por vir. "Por mais que apreciasse o gesto, se aquele fosse o corpo da minha mãe, seria a última vez em que iria vê-la", relembra ele. Lesões suspeitas Nada poderia ter preparado os três irmãos para o que eles veriam em seguida. "Era impossível tocá-la, abraçá-la, nada do tipo. Acho que isso foi o mais difícil." Os irmãos imediatamente levantaram suspeitas. Havia informações de que sua mãe havia sido vista com um homem em uma cafeteria próxima de Heraklion, na noite do seu desaparecimento. E eles não acreditavam que as lesões que ela apresentava, incluindo um golpe na parte posterior da cabeça, fossem consequências de um acidente. Inicialmente, as autoridades gregas determinaram que a morte de Hanlon havia sido acidental. Mas os irmãos insistiram para que o relatório da autópsia fosse novamente revisado. O processo levou tempo, mas, ao final de dois anos, foram reveladas lesões compatíveis com uma luta corporal. "Fico indignado ao pensar que, se não tivéssemos insistido, nunca teríamos tomado conhecimento daquelas outras lesões", comenta Michael. A luta dos irmãos para conseguir justiça estava apenas começando. Jean Hanlon e seus três filhos, pouco depois do nascimento do mais novo, Michael, na Escócia BBC Jean Hanlon havia trabalhado na Escócia para o NHS, o serviço de saúde pública do Reino Unido. Mas suas primeiras férias no exterior (na ilha de Creta, aos 40 anos) a convenceram a vivenciar algo diferente. Ela trabalhou por algum tempo no setor de turismo até se mudar para a Grécia, onde foi funcionária de restaurantes. Aquele era o "seu lugar". Hanlon adorava Creta e seus moradores, o que fez com que sua morte violenta naquele local fosse ainda mais chocante. "É dever dos vivos levantar a voz pelos mortos", afirma Michael. Ele repetiu esta frase em centenas de entrevistas à imprensa, desde 2009. Nos anos que se seguiram, as autoridades gregas encerraram e voltaram a abrir o caso quatro vezes. Dois homens foram erroneamente acusados de envolvimento na morte de Jean Hanlon. O caso chegou a aparecer em um programa de TV da Grécia, especializado em crimes não solucionados. Mas, toda vez que a investigação parecia ganhar impulso, ela chegava a um beco sem saída. Nova perspectiva Em 2019, Michael e Rebecca (filha de Robert) viajaram novamente para Creta. Seu objetivo era dar visibilidade ao caso de Hanlon e conscientizar a opinião pública a respeito. Diversos jornalistas gregos e britânicos cobriram a viagem, mas não houve avanços significativos. Michael relata que a luta parecia interminável. "É impossível descrever o que isso provoca em você... minha motivação diária era pensar em algo novo para manter viva a história, chamar a atenção das pessoas e criar novas formas de arrecadar fundos." A reviravolta veio no final de 2023, quando os irmãos decidiram contratar um investigador particular chamado Haris Veramon e seu colega Nikos Arkoulis. Veramon abordou o caso com uma nova perspectiva, concentrando sua atenção no diário de Jean Hanlon. Nele, ela mencionava um homem com quem havia saído por um breve período no início de 2009, mas com quem havia terminado o relacionamento. Os investigadores afirmaram que o diário de Hanlon e outras provas levavam a acreditar que o suspeito fosse um "assediador rejeitado", que não aceitou o rompimento e acreditava erroneamente que ela mantinha um relacionamento com outro homem. Veramon conversou com testemunhas e revisou testemunhos antigos. Uma das principais questões do caso era com quem Jean Hanlon havia estado no Café Marina, na noite em que ela desapareceu. Não havia gravações de câmeras de segurança, nem provas de DNA. Mas o relatório do investigador particular concluiu que ela havia saído com o suspeito. E este relatório foi suficiente para levar o caso à Justiça. Haviam se passado 17 anos desde que Michael, Robert e David identificaram o corpo da sua mãe. Eles retornaram a Creta para confrontar o homem acusado de assassiná-la. Os três prestaram depoimento no início do julgamento. Eles acreditavam que sua mãe teria rompido amistosamente com o suspeito, mas que ele a continuou assediando. Testemunho contraditório Houve um momento decisivo no segundo dia do julgamento, com o depoimento da irmã do suspeito. Ela afirmou que seu irmão havia sido diagnosticado com problemas de saúde mental e, quando não tomava seus medicamentos, ele se tornava agressivo. A tese da procuradoria era que ele não havia tomado o medicamento no período em que esteve com Jean Hanlon. O testemunho do suspeito foi contraditório. Em um dado momento, ele afirmou que eles só ficaram juntos quatro ou cinco dias, mas o diário de Hanlon indicava que o período teria sido mais longo. Algumas das provas mais difíceis de ouvir para Michael, Robert e David vieram de um patologista forense. Michael relembra que sua mãe vivia feliz nos anos que antecederam sua morte BBC Ele declarou durante o julgamento que a causa mais provável da morte de Hanlon foi um golpe na parte posterior da cabeça. E que, na sua opinião, ela ainda estava viva quando foi atirada na água. Por fim, um júri misto, formado por juízes e cidadãos comuns, levou cerca de três horas para condenar por unanimidade o suspeito do assassinato de Jean Hanlon, embora o tribunal tenha reconhecido que sua responsabilidade era menor, devido à doença mental. Michael, Robert e David começaram a chorar — e não foi a primeira vez durante o julgamento. Após 17 anos, um homem finalmente era condenado pelo assassinato da sua mãe. Ele foi sentenciado a 10 anos de prisão, mas não será detido até que seu recurso seja julgado. A legislação grega determina que, de forma geral, a identidade de uma pessoa condenada não seja revelada até o término do processo judicial, incluindo a fase de recurso. Na saída do tribunal, os irmãos falaram com os jornalistas. Michael expressou sua alegria e alívio, ao perceber que sua mãe finalmente estava livre: "Todos nós lutamos muito para chegar a este dia." Mas os três irmãos ficaram preocupados com o fato de que o condenado não seria encaminhado diretamente para a prisão. "É frustrante que ele continue em liberdade até o julgamento do recurso", afirma Michael. "Todos têm seus direitos, mas, para nós, é algo triste e preocupante." 'Ouviram a voz da minha mãe' O filho mais velho de Jean Hanlon, Robert Porter, declarou estar "muito agradecido por um grupo de desconhecidos ter ouvido a voz da minha mãe e tomado a decisão certa". "Por fim, uma vitória e agradeço por terem ouvido sua voz", afirmou ele. O filho do meio, David Porter, comentou ter ficado "muito feliz por isso estar chegando ao fim, embora eu preferisse que a pessoa fosse para a prisão". O advogado dos três irmãos, Apostolos Xiritakis, trabalha para a família desde 2012. "Este é o caso em que passei mais tempo trabalhando ao longo da minha carreira", declarou ele. "É uma grande vitória porque a família sente, depois de 17 anos, que se fez justiça." "Poderíamos dizer que a sensação é um misto de alegria e tristeza", descreve Xiritakis. "De um lado, conseguimos uma condenação, mas o acusado não foi preso porque se reconheceu que ele sofre de uma doença mental." Ao longo destes 17 anos, os irmãos aprenderam a esperar o inesperado. Eles suportaram inúmeros altos e baixos e sabem que ainda está pendente um processo de apelação. Mas, por enquanto, depois de tanto tempo de sofrimento, eles finalmente sentem que fizeram justiça para sua mãe.

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Juliana Mendes

Colaborador editorial e correspondente jornalístico especializado no portal Manchete Brasil.

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