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Rafael Lopes analisa largadas ruins da Audi de Bortoleto em 2026 Colocar uma equipe praticamente do zero na Fórmula 1 não é uma tarefa fácil, e até a tradicional Audi tem enfrentado problemas na temporada de estreia na categoria. Mas nenhum deles tem sido mais citado pelo brasileiro Gabriel Bortoleto do que as largadas ruins nas provas desta temporada. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Gabriel Bortoleto atrás de Nico Hulkenberg na corrida sprint do GP da Grã-Bretanha da F1 2026 Andy Hone/LAT Images Depois da corrida sprint no GP da Grã-Bretanha, em que Bortoleto caiu de 12º para 17º na primeira volta, o piloto de 21 anos cobrou melhorias da Audi nos processos de largada e disse que perder posições e tentar recuperar é um "sofrimento". Mas afinal, qual o tamanho desse problema? E por que ele acontece? O ge explica abaixo. Falta constância? Na mesma entrevista ao sportv depois da sprint em Silverstone, Bortoleto disse que algumas largadas da equipe saem boas, enquanto outras são horríveis - por isso, pediu à equipe alemã que tente ter mais constância nesse aspecto. Uma breve análise dos dados mostra que a reclamação do piloto tem fundamento. Bortoleto participou de 12 largadas neste ano, sendo oito em corridas principais (desconsiderando a China, em que o piloto não disputou) e quatro em provas sprint. O saldo de posições ganhas e perdidas do brasileiro neste recorte é de -16, o que mostra que, de fato, o jovem da Audi tem sofrido durante a temporada. Gabriel Bortoleto tem sofrido com as largadas na F1 2026 Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images Nem sempre, no entanto, os inícios do brasileiro são ruins. Nas corridas sprint da China e de Miami, por exemplo, ele ganhou uma posição largando do meio do pelotão. Na prova principal de Miami, subiu duas após sair de 21º. Porém, as perdas de posição têm pesado bastante na tentativa de Bortoleto de ganhar pontos. Foi assim no GP do Japão, em que Gabriel caiu de nono, dentro da zona de pontuação, para 13º logo de cara. Outras quedas semelhantes ocorreram nas sprints do Canadá e de Barcelona-Catalunha. Veja na tabela abaixo: As primeiras voltas de Bortoleto na F1 2026 O próprio início do brasileiro no GP da Grã-Bretanha, quando pontuou ao terminar em oitavo, foi com perda de três posições após largar em 11º. Entretanto, Bortoleto conseguiu retomar as colocações na volta seguinte, o que o ajudou no resto da prova e fez com que ele quebrasse um jejum que durava desde a Austrália, com direito a três provas seguidas batendo na trave. O gráfico abaixo mostra a montanha-russa vivida por ele nesse aspecto. E poderia ser pior. A comparação com Nico Hulkenberg, companheiro de Bortoleto na Audi, mostra que o brasileiro ainda tem conseguido mitigar o problema: o alemão tem saldo negativo de 34 posições em largadas – na corrida sprint da China, por exemplo, ele perdeu nove posições só na primeira volta. Fica claro que o problema é de toda a equipe, e não individual. – Eles estão trabalhando nisso, estão trabalhando muito duro nisso, para minimizar esses problemas e fazer com que os seus pilotos larguem. Têm conseguido isso nas últimas etapas, mas ainda é uma questão que às vezes não funciona tão bem, vai funcionar muito bem em outra prova, é algo que eles estão trabalhando – avalia o comentarista Rafael Lopes. A raiz do problema A dificuldade enfrentada pela Audi tem um fator principal: o motor. A equipe estreia na Fórmula 1 com uma unidade de potência própria e, apesar de ter um chassis competitivo, ainda está atrás de fornecedoras como Mercedes, Ferrari e Red Bull-Ford quando o assunto é potência. No último mês, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgou os resultados do programa de auxílio a motores deficitários, conhecido como ADUO. A avaliação leva em conta apenas o motor de combustão interna, responsável por metade da potência do carro; a outra metade é gerada pela parte elétrica. A Audi ganhou direito a duas atualizações do motor de combustão interna até o fim do ano, e Bortoleto acredita que o motor tem impedido a equipe de obter resultados melhores. – Ficou claro com o ADUO que nós temos um déficit no motor, estamos perdendo bastante por volta. Eu acho que o Mattia (Binotto, chefe do projeto da Audi F1) já tinha mencionado no passado que é mais de um segundo por volta, dependendo da pista. E isso não é exagero, é a verdade sobre onde estamos, e é normal porque é a primeira temporada do nosso motor – explicou o brasileiro. Em relação às largadas, no entanto, há uma parte específica do motor que explica o problema: o turbocompressor. A Audi optou por uma turbina muito grande em relação às rivais – o que não é necessariamente ruim, pois pode aumentar o fluxo de ar e a potência máxima, por exemplo. Porém, complica a muito a situação da equipe no procedimento de largada utilizado neste ano. Turbocompressor grande complica largadas da Audi em 2026 Infoesporte O novo regulamento de motores removeu o MGU-H, sistema de recuperação de energia térmica dos gases de escape do veículo. Esse sistema eliminava o chamado turbo lag, tempo de atraso entre o momento em que o piloto pisa no acelerador e o momento em que o motor realmente entrega a potência máxima do turbo. Isso causou efeitos visíveis nas largadas. Durante a pré-temporada, ficou claro que os carros estavam demorando muito a sair dos colchetes (relembre nos vídeos abaixo), em especial aqueles com turbocompressor grande, como a Audi. Os monopostos equipados com motores Ferrari vinham tendo desempenho melhor, justamente pelo tamanho reduzido do turbo. Veja treino de largada da Fórmula 1 nos testes de quarta-feira no Bahrein Veja treino de largada na pré-temporada da F1 no Bahrein Por causa disso, a Fórmula 1 introduziu uma contagem de cinco segundos antes das largadas, para que os pilotos possam aumentar as rotações do motor e encher as turbinas. Ainda assim, quem tem o turbo maior pode se complicar, mesmo que faça o procedimento de início correto – fato para o qual Bortoleto tem chamado atenção nas entrevistas. – O problema está naquela questão de que justamente você não pode usar mais o motor elétrico para fazer as largadas, então você precisa encher o turbo, encher a pressão do turbo para poder sair bem do grid. Isso foi o grande calcanhar de aqueles dos carros da Audi no início da temporada, demorava mais do que, obviamente, os adversários que tinham turbinas menores – explica Rafael Lopes. Os resultados do ADUO saíram depois do GP de Mônaco de Fórmula 1, mas esperava-se que as equipes beneficiadas fossem demorar a atualizar o motor. A Audi pegou o paddock de surpresa ao introduzir atualizações já em Barcelona, com o objetivo de minimizar o problema. Na opinião de Rafael Lopes, tem dado certo. – Parece que tem funcionado, tanto é que a gente já viu um Hulkenberg não perdendo posições na largada na penúltima corrida, lá no grande prêmio da Áustria. E na última corrida em Silverstone, o Gabriel teve problemas na corrida sprint, mas na corrida principal conseguiu avançar, tanto é que terminou na oitava posição. Excluindo os abandonos, Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg finalizaram todas as corridas em 13º ou acima. Apenas os dez primeiros pontuam, e resolver os inícios de prova pode ser o que falta para que a Audi saia da nona posição no campeonato de construtores, com apenas seis pontos ganhos.
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