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Por que o domínio europeu na Copa do Mundo resiste à globalização

Resultados de jogos, escalações, negociações de atletas e tabelas dos principais campeonatos.

Por que o domínio europeu na Copa do Mundo resiste à globalização

Notícias de Bastidores e Competições

O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.

Os 99 jogadores nascidos na França espalhados por mais de uma dezena de seleções retratam a realidade de exceção que o país representa no mundo do futebol atual: é a maior fonte de talentos do planeta. Mas também ajudam a refletir sobre o que, aparentemente, é um paradoxo. Para acompanhar os rumos de uma sociedade globalizada, o esporte flexibilizou regras de fidelidade dos jogadores às seleções, encurtando o caminho para que centenas de atletas defendam as bandeiras de seus pais ou avós que emigraram. Em tese, o fenômeno deveria reduzir ainda mais as distâncias entre as melhores seleções do mundo e as emergentes, descentralizar o jogo, tornar competitivos times de mais regiões do globo. Mas, das oito equipes que começam a disputar as quartas-de-final da Copa, seis são da Europa. É o mesmo número de 2018, no Mundial da Rússia, que teve semifinais 100% europeias. Em 2022, no Catar, eram cinco times da Europa. Se é verdade que o continente tem mais participantes no torneio, com 16 dos 48 classificados, é fato que os 75% de representação nas quartas são uma desproporção. Mas o que realmente intriga é o fato de a globalização não fazer este número baixar. França x Suécia - Copa do Mundo IMAGN IMAGES via Reuters/Vincent Carchietta Tampouco é este um Mundial imune aos efeitos do mundo global. Primeiro porque a Copa tem margens pequenas. Tivesse o Brasil aproveitado uma das tantas chances que teve contra a Noruega, tivesse a Colômbia batido a Suíça nos pênaltis, estaríamos hoje falando de três sul-americanos, quatro europeus e um africano nas quartas. Se lembrarmos que nove africanos passaram de fase e muitos deles foram eliminados nos minutos finais de jogos que poderiam ter vencido, ou se resgatarmos as atuações de Iraque, Jordânia e até Haiti ou Cabo Verde, nenhum deles submetido a grandes constrangimentos, seremos obrigados a concluir: a Copa de 2026 é a celebração do futebol global, a demonstração que este é um jogo do mundo todo, praticado em bom nível mesmo por seleções sem representação nas maiores ligas do planeta. É resultado do fluxo da informação, do mundo conectado. Mas, de novo, por que o domínio europeu não é afetado? Talvez não haja uma única explicação, mas é preciso passar, primeiro, pelo fato de que 70% dos jogadores em atividade no Mundial jogam na Europa. Aí estão incluídos quase todos os 250 que nasceram fora dos países que defendem, muitos deles formados jogadores no continente europeu. Foi na prospecção de descendentes que Marrocos montou sua ótima seleção, que Curaçao buscou seus jogadores em famílias que emigraram para a Holanda, que Congo, Argélia, Cabo Verde e Túnisia construíram pedaços enormes de seus elencos, em grande parte com jovens nascidos na França. O que é absolutamente legítimo. Mas é uma via de mão dupla. Canadá x Marrocos - Melhores Momentos Naturalmente, a prospecção na Europa permitiu que estas equipes subissem de nível, ampliassem o leque de jogadores selecionáveis, mas há aí outros aspectos difíceis de contornar. Primeiro, a influência do dinheiro. Estão na Europa, hoje, os centros de desenvolvimento de jogadores mais equipados do mundo, não do ponto de vista do conhecimento técnico, mas da capacidade de contratar profissionais e equipar-se com tecnologia de ponta. Além disso, jogadores identificados desde a adolescência como projetos de atletas de elite internacional acabam sendo incluídos em programas de formação das grandes seleções europeias, onde aspiram a grandes conquistas, cedem a um poder de sedução a que também corresponde uma enorme valorização de mercado. É evidente que há casos de jogadores de elite que guiaram suas escolhas por aspectos sentimentais, pelo genuíno desejo de defender as cores dos países onde suas famílias têm raízes. Mas também é legítimo que façam escolhas profissionais. Afinal, numa era de fronteiras abertas, eles são cidadãos do mundo. Ou sejam, restam às seleções que buscam descendentes na Europa, jogadores quase sempre não tão bons quanto os que optaram pelas camisas mais tradicionais. Como se Curaçao fosse um time B, ou mesmo C, da Holanda. No fim das contas, a questão econômica, que já tinha concentrado jogadores nos principais clubes do mundo, assume um papel duplo no ambiente das seleções. De um lado, aproxima as forças ao permitir que seleções de todos os cantos tenham jogadores sendo desenvolvidos, formados e competindo nas grandes ligas da Europa. Em tese, não se fabricam os abismos do jogo de clubes. No entanto, a sensação é que há também uma centralização da formação. Então só a Europa sabe formar jogadores? Claro que não. Mas vejamos, novamente, a influência do dinheiro. O Equador é um bem-sucedido projeto recente de desenvolvimento de atletas, especialmente no Independiente del Valle. O Brasil segue sendo um produtor em série de jogadores de nível, basta ver a dificuldade de achar uma liga importante na Europa sem a presença marcante de brasileiros protagonistas. Pode-se falar da Argentina, também. Mas qual o caminho natural destes jovens que brotam na América do Sul? Quase sempre, seguem o caminho do dinheiro, dos sonhos, mas com custos pessoais elevadíssimos. Aos 13 ou 14 anos são identificados como talentos de elite, por volta dos 16 começam a ser assediados pelos maiores clubes do mundo, e na virada dos 17 para os 18 são expatriados. Numa fase da vida em que desenvolvem não só o corpo, mas aspectos fundamentais do caráter e da mente, são colocados em outra cultura, outro clima, outra comida, sob a pressão da xenofobia e do racismo. E obrigados a apresentar resultado imediato. O resultado é que muitos não realizam o que se esperava. Tudo isso sem contar as questões sociais que cercaram suas infâncias, bases familiares muitas vezes disfuncionais e o déficit educacional do continente sul-americano. Além disso, e novamente pela influência do dinheiro, os fluxos migratórios que levaram famílias à Europa em busca de uma vida melhor, permitiram a seleções europeias a montagem de times multiculturais, com diferentes formas de sentir o jogo, diferentes características se juntando em elencos muito mais plurais. Antigos estereótipos aplicados a velhas escolas de futebol tornaram-se obsoletos, vencidos. A Noruega, por exemplo, trabalha para isolar Nusa, descendente de nigerianos, ou Oscar Bobb, filho de um gambiano, para que usem o drible. O caso é que a mesma globalização que encurta distâncias no futebol das seleções, ainda não parece ter alterado o balanço das forças no topo da pirâmide da Copa do Mundo. Não há garantia de um domínio europeu eterno, afinal as nacionalizações criam desafiantes cada vez mais fortes. Mas, por ora, ainda há fatores demais pesando a balança para o lado europeu.

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Expectativa para os Próximos Confrontos

Comissões técnicas e analistas esportivos começam a traçar as projeções para os próximos desafios nas tabelas dos campeonatos, onde cada ponto e movimentação de elenco pode ditar o rumo da temporada.

A cobertura completa de estatísticas, bastidores de vestiário e calendários de jogos segue atualizada diariamente pela equipe de jornalismo do Manchete Brasil.

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Juliana Mendes

Colaborador editorial e correspondente jornalístico especializado no portal Manchete Brasil.

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