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O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.
A história de CR7 na seleção portuguesa teve participação brasileira! Três zagueiros? Vai armar uma retranca? Isso tudo é medo de perder? A Portuguesa vai se limitar a jogar para empatar? Dois laterais esquerdos? Vai inventar um lateral como ponta? Será que o Fesan decidiu, justo agora, dar uma de “Professor Pardal”? Essas eram algumas das perguntas nas redes sociais e na arquibancada do estádio Dr. Hercílio Luz, em Itajaí, em Santa Catarina, minutos antes de a Lusa enfrentar o Marcílio Dias-SC pelo jogo de ida da terceira fase da Série D do Campeonato Brasileiro. No entanto, não demorou muito para se imaginar e se entender a estratégia do treinador rubro-verde. A frente do goleiro Bertinato, armou um miolo de defesa com três zagueiros: Biazus pela direita, Botteghin centralizado e Carlos Lima pela esquerda. Os laterais, João Vitor pela direita e Salomão pela esquerda, sobretudo quando a Portuguesa ficasse sem a bola, formariam uma linha de cinco defensores. Já com a posse de bola, o trio de zaga permitiria aos laterais fazerem uma dobra com os pontas. No meio, Thiaguinho e Portuga. Com esse reforço defensivo, ambos teriam mais liberdade para a transição. Principalmente o segundo, que é claramente um dos mais técnicos do time, e vinha ficando preso lá atrás para qualificar a saída de bola. Torcida da Portuguesa na partida contra o Marcílio Dias Victor Bessa/Portuguesa SAF Na frente, Igor Torres na beirada direita, Cadorini centralizado como referência e Lucas Hipólito aberto pela esquerda. Sim, após ter testado todas as opções para o setor, e sabendo que Toró atualmente não tem a velocidade que um jogo desse pedia, Fesan decidiu inovar e colocar o lateral pela esquerda ofensiva, como um ponta. Tinha lógica. O Marcílio Dias-SC atuaria em casa nesse jogo de ida e tentaria fazer o resultado. Ou seja, tomaria a iniciativa e sairia para o ataque. E é sabido que o time de Itajaí tem como característica usar o jogo pelas beiradas e a velocidade nos corredores. Defensivamente, com três zagueiros, Fesan tentaria fechar os dois corredores com dobras: João Vitor e Biazus pela direita e Salomão e Carlos Lima pela esquerda. Por outro lado, essa linha defensiva reforçada daria mais liberdade aos dois meias. Algo importante para uma equipe que, fora de casa, teria o contra-ataque. Soma-se a isso o fato de ter, nas duas beiradas ofensivas, jogadores que sabem tanto apoiar e tentar levar a bola para Cadorini quanto voltar para ajudar a marcar o adversário. Tudo isso acabou se confirmando com a bola rolando. O que nem os mais otimistas imaginavam era que a Lusa abriria o placar logo aos três minutos. Um lance em que vale destacar dois elementos fundamentais e raros ao próprio time nesta Série D. Um deles é a velocidade para trocar passes e quebrar a linha de marcação do rival. Outro é a qualidade nessa troca de passes, tão escassa na divisão. Foi assim que Igor Torres recebeu, ajeitou e chutou inapelavelmente para o fundo das redes. Golaço. Jogadores da Portuguesa comemoram gol contra o Marcílio Dias Tiago Winter/Portuguesa SAF Com a vantagem de 1 a 0 no placar, a Portuguesa viu o Marcílio Dias-SC acender e tentar na base da velocidade e do abafa empatar rapidamente o jogo. Era necessário à equipe rubro-verde aguentar aquela natural pressão pós-abertura da contagem. Só que a Lusa não aguentou. Ou melhor, presenteou. Aos 15 minutos, houve um vacilo geral do sistema defensivo. Salomão e Hipólito deram, pelo corredor esquerdo defensivo, a liberdade que Garrinsha jamais poderia ter para fazer fundo e cruzar. Bertinato saiu mal e pulou em direção ao nada. Biazus vinha recuando e acabou se atrapalhando com a passagem da bola. João Vitor dormiu no ponto e, quando percebeu, Davi Torres estava entrando livre no costado dele para só cutucar ao fundo das redes. Biazus ainda reclamou. João fez sinal de que esperava o corte. Enfim, o gol já havia saído: 1 a 1. Um reflexo do desentrosamento da nova linha defensiva? Pode até ser. Mas é um daqueles apagões que a Lusa já apresentou com ou sem essa formatação de zaga. O mais importante é que o empate não desestabilizou a Portuguesa. Era uma equipe ligada, acesa, mordedora, com uma postura pela qual muito se cobrou ao longo desta Série D. Que não permitiu ao Marcílio Dias-SC crescer e criar grandes chances. As descidas catarinenses se davam principalmente pelas beiradas. Na maior parte das oportunidades, com Davi Torres pela direita e Garrinsha pela esquerda. O segundo quase sempre parava no corte de João Vitor ou na chegada de Biazus. O primeiro, porém, foi quem deu trabalho. Ainda mais quando percebeu que, se explorasse o flanco entre Salomão e Carlos Lima, poderia encontrar espaços. Mas, com o passar do tempo, o próprio Fesan corrigiu esse buraco e a sangria estancou. Tanto que, no segundo tempo, mesmo jogando em casa e tentando pressionar, o Marcílio Dias-SC quase não levou perigo real e a Portuguesa acabou construindo chances de sair de Itajaí com uma vitória até de relativa segurança numérica. Ademir Fesan, técnico da Portuguesa Victor Bessa/Portuguesa SAF Entre as principais chances, destacam-se a cabeçada de Cadorini em que o goleiro Diego Almeida fez talvez a defesa da partida, o cruzamento de João Vitor que Cadorini poderia ter interceptado para as redes, o chute de Portuga lambendo a trave esquerda catarinense e a finalização mascada de João Diogo que, se correta, seria indefensável. Vale destacar a atuação bem fraca da arbitragem. O paranaense Paulo Roberto Alves Junior, diante de uma clara incapacidade de controlar disciplinarmente a partida, passou a distribuir cartões amarelos de forma a até banalizar as punições aos jogadores. Fora isso, o árbitro conseguiu deixar os dois lados descontentes. No caso da Portuguesa, ao não expulsar o lateral direito Wesley. O jogador já tinha amarelo quando, no segundo tempo, abraçou e agarrou por trás o lateral esquerdo Salomão, derrubando ao solo. Paulo Roberto Ales Junior foi em direção a ele colocando a mão no bolso para sacar o amarelo. Mas, ao se aproximar, nitidamente desistiu do cartão ao perceber que teria de manda-lo para fora. As imagens não deixam dúvidas de que era jogada para amarelo. Já no caso do Marcílio Dias-SC, a reclamação foi de um pênalti no fim da partida. Bola na área, Salomão matou no peito. Logo após quicar no peito dele, bateu no braço esquerdo. A discussão fica em torno do quanto foi involuntário ou não e do quanto o jogador conseguiria ou não, naquela velocidade, tirar o braço do caminho da bola. Pela bola, a Portuguesa poderia muito bem ter vencido não fosse aquele único vacilo defensivo e as recorrentes chances desperdiçadas de matar o jogo. Pelo apito, poderia até ter perdido se o árbitro interpretasse que a bola no braço de Salomão era pênalti. O que se conclui disso? Que o empate ficou muito, mais muito longe de ser um resultado ruim. Até porque empate fora em mata-mata decidido em casa nunca foi e nunca será negativo. Um resultado que qualquer lusitano compraria antes da partida. Com esse placar, a Lusa faz o mesmo que fez na segunda fase. Ou seja, reduz a decisão em 90 minutos e traz o grande jogo para o Canindé. Traz a grande definição para casa, para junto da torcida, que desta vez precisa se fazer presente em maior número. Que o ótimo público visitante em Itajaí seja uma inspiração. Foi emocionante conversar com tantos torcedores que moram fora de São Paulo, sobretudo em Santa Catarina e no Paraná. Florianópolis, Balneário Camboriú, Blumenau, Mafra, Jaraguá do Sul, Garuva, Guaratuba e Curitibanos são algumas das cidades de torcedores que lá estavam. Gente que, se morasse mais perto, certamente compareceria ao Canindé no domingo, às 16h, quando a Portuguesa recebe o Marcílio Dias-SC pelo jogo de volta da terceira fase da Série D. Avança quem vencer. Um eventual empate leva aos pênaltis. O time, apesar do vacilo defensivo e de não ter matado a primeira partida, jogou bem. Teve postura de mata-mata. Com mudanças no time titular que surtiram efeito. O desafio para elenco e torcida, agora, é ser em casa melhor do que na fase passada. *Luiz Nascimento, 33, é jornalista da rádio CBN, documentarista do Acervo da Bola e escreve sobre a Portuguesa há 16 anos, sendo a maior parte deles no ge. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem as do site.
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