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O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.
Portuguesa 2 x 0 Marcílio Dias | Gols | 3ª fase (Volta) | Brasileiro Série D 2026 A Portuguesa vai enfrentar o Uberlândia-MG nas oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Pela posição dos dois clubes na classificação geral, o primeiro jogo será no Triângulo Mineiro e a partida de volta será em São Paulo. Vale destacar que passar dessa fase é como conquistar duas chances de acesso. Isso porque na etapa subsequente, de quartas de final, os quatro vencedores estarão na Série C. Já os quatro perdedores irão para uma repescagem em que dois também subirão. A classificação da Lusa para as oitavas de final foi conquistada contra o Marcílio Dias-SC. No jogo de ida, em Itajaí, no litoral catarinense, empatou por 1 a 1. Já na partida de volta, no Canindé, venceu por 2 a 0, com gols de Lucas Hipólito e Igor Torres. Uma etapa que acabou se tornando mais tranquila do que a anterior, em que teve de buscar um empate por 1 a 1 com o Sampaio Corrêa-RJ fora de casa e acabou passando com um 1 a 0 nos acréscimos, no Canindé, quando todo mundo já apostava em pênaltis. É possível concluir, como muitos estão fazendo, que o Marcílio Dias-SC se mostrou menos competitivo que o Sampaio Corrêa-RJ? Sim. Só que também é possível, bem como importante, destacar a evolução da própria Portuguesa de uma fase para outra. Não se deve desprezar um fator determinante nos dois jogos com o Marcílio Dias-SC: a mudança tática promovida pelo técnico Ademir Fesan. A Lusa passou a adotar, diante da equipe catarinense, uma formação com três zagueiros que deu muito certo. Portuguesa x Marcílio Dias Victor Bessa/Portuguesa SAF O time foi o mesmo nos dois jogos: Bertinato no gol; Biazus, Botteghin e Carlos Lima no miolo de zaga; João Vitor na lateral direita e Salomão na esquerda; Portuga e Thiaguinho no meio; Igor Torres, Cadorini e Lucas Hipólito no ataque. Sem a bola, a Portuguesa tem uma linha de cinco formada pelos zagueiros e pelos laterais, atrás de uma linha de quatro composta pelos meias e pelos beiradas. Com a bola, tanto os meias quanto os laterais ganham mais liberdade na criação. Uma formação que deixou menos vulnerável uma defesa que vinha sofrendo com contragolpes rápidos pelos lados do campo – e consequentes chuveirinhos – e que liberou jogadores importantes, como Portuga na transição/criação e os laterais no apoio. O gol cedo condicionou os dois jogos com o Marcílio Dias-SC, muitos têm dito. Sim. Sem dúvida. Só que também há que se destacar que é um mérito da Portuguesa. Algo que esse time não vinha conseguindo fazer é transformar oportunidade em gol. Lembra aquele jogo mais lento, moroso e arrastado contra o Sampaio Corrêa-RJ no Canindé? Aquela impressão de que estava faltando senso de urgência ao time luso? Isso, ainda bem, não existiu diante do Marcílio Dias-SC e foi uma diferença crucial. Quer dizer que esse problema está resolvido? De forma alguma. Na ida, a Lusa teve chance de vencer e acabou desperdiçando miseravelmente três oportunidades claras. Na volta, sobretudo após ficar com um jogador a mais, poderia ter matado bem mais cedo. Aliás, esse ponto também foi determinante na partida de volta: a expulsão do volante marcilista Roldan. Um vermelho que não veio apenas por desequilíbrio ou violência gratuita do jogador. Veio de uma dificuldade em parar um meio-campo mais solto. A conjuntura de fato tornou tranquila a vitória rubro-verde no Canindé com grande rapidez. Seja pelo gol cedo, de Lucas Hipólito, aos oito minutos, seja pela expulsão igualmente cedo do volante marcilista Roldan, aos 34 minutos de bola rolando. Aliás, destaca-se aqui um gol de merecimento a Hipólito, que ficou afastado por mais de um ano tratando uma complexa cirurgia de joelho, e voltou já sendo peça fundamental no time de Fesan, tanto como lateral que é quanto como ponta esquerda que virou. Hipólito tem sido, pela esquerda, o que Toró, Guilherme Santos e Cauari ainda não conseguiram ser. Aliás, o que o próprio Maceió, antes de ser negociado, jamais foi nesta Série D. Tem velocidade e intensidade tanto no apoio quanto na recomposição. Portuguesa x Marcílio Dias Victor Bessa/Portuguesa SAF Do outro lado, Igor Torres mostra estar vivendo o melhor momento com a camisa da Lusa. Ganhou o que tanto buscava: confiança. Ao mesmo tempo em que esse esquema deu a ele mais conforto e liberdade. Não se pode querer que ele resolva tudo sozinho, ou que jogue isolado. Mas, encaixado corretamente, pelo estilo, vira peça importante. Não a toa fez aquele belo gol em Santa Catarina. Não a toa fez outro belo gol, até um pouco parecido, no jogo de volta. Acabou por selar, aos 22 minutos da etapa final, a vitória por 2 a 0 sobre o Marcílio Dias-SC e a classificação para as oitavas de final. Quer dizer que está tudo perfeito, redondo, irretocável? Claro que não. Até porque em Série D esse cenário nem existe. Só que é preciso valorizar que, em um momento-chave, a Lusa está conseguindo mostrar evoluções importantes para esse estágio. Evoluções que não se concentram apenas dentro de campo. O “crescer na hora certa”, tão citado no futebol, em Série D vale também do outro lado do alambrado. Contra o Sampaio Corrêa-RJ, saiu o trauma do mata-mata, do gol no fim, de avançar em casa. Já contra o Marcílio Dias-SC, viu-se uma virada de chave entre a torcida. Um time que, enfim, conseguiu se impor e fazer com que a diferença técnica se convertesse em bola. Aquela sensação de que dá. Não sem dificuldade. Longe disso. Mas de que dá. É evidente que nada disso dizimou limitações técnicas ou brechas de elenco. Só que o cenário se tornou favorável até para Fesan dar confiança a reservas, como Sciência e Cecchini, no lugar de amarelados, e minutagem a Gustavo Henrique, vindo de lesão. Portuguesa x Marcílio Dias Victor Bessa/Portuguesa SAF Claro que nem todos aproveitaram esse cenário favorável para ganhar essa confiança. Denis e Guilherme Santos, por exemplo, entraram mal. O segundo, inclusive, acabou por protagonizar um lance que por pouco não virou a única chance marcilista. Significa que a Lusa agora está encaixada e não precisa de mais nada? Óbvio que não. Cada adversário tem uma característica e impõe uma dificuldade. Exemplo: nem sempre se conseguirá trocar tantos passes na defesa, voltando ao goleiro, sem riscos. Agora, vira-se a página mais uma vez. Uma semana para mergulhar na campanha do Uberlândia-MG, entender a melhor forma de enfrentá-lo, corrigir e adaptar o que necessário for, passo a passo seguido com sucesso contra o Marcílio Dias-SC. O Uberlândia-MG virou SAF recentemente, tem um dos principais investimentos da Série D, foi líder do grupo na primeira fase e passou por dois mata-matas, Rio Branco-ES e Serra Branca-PB, vencendo os jogos de ida fora de casa. Vai ser uma parada dura para a Portuguesa, com características distintas das que encarou até agora. Uma semana para a Lusa, outra vez, mostrar estar preparada para essa briga pela vaga na Série C. Duas semanas, porém, para a torcida. Que precisa, de uma vez por todas, entender o papel dela e aparecer em maior número no Canindé. Chegou a hora. *Luiz Nascimento, 34, é jornalista da rádio CBN, documentarista do Acervo da Bola e escreve sobre a Portuguesa há 16 anos, sendo a maior parte deles no ge. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem as do site.
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