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O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.
Agora sim, começou a Copa do Mundo! Está oficialmente testado o formato de 48 seleções, com classificação de dois terços dos terceiros colocados, a primeira edição dos tais “16 avos” (prefiro chamar assim). Ponto positivo: uma dose extra de emoção na rodada final, com muitos times precisando secar adversários e refazer as contas a cada gol. No fim das contas, apenas Senegal passou de fase tendo somado apenas 3 pontos (pelo saldo positivo de 2 gols). Todos os outros passaram com 4 pontos. Ou seja, 7 dos 8 classificados tiveram apenas uma derrota, o que é indício de boa campanha. Não houve classificação “não merecida” com o formato expandido. Ponto negativo: vários times ficaram esperando por até 3 dias a definição dos classificados, sem saber se seguiriam ou voltariam para casa. O que soma a outra ponto negativo: os times que ficaram para o final sabiam que tipo de resultado precisavam para classificar. Num torneio que garante jogos simultâneos na definição das classificações dos grupos, 25% das vagas para os 16 avos-de-final se definiram sem o mesmo critério de justiça. E rolou uma situação que agravou o problema: o empate esquisito entre Argélia e Áustria, que eliminou o Irã. Por vários períodos a sensação foi de um clássico “jogo de compadres”. No fim das contas, dentre os “terceiros”, apenas o Paraguai passou para as oitavas, eliminando a Alemanha. Senegal foi o único realmente superior em campo, mas não soube “furar a bola” contra a Bélgica e tomou a virada. Aconteceu praticamente a mesma coisa nas Copas de 1986, 1990 e 1994, que tinham 24 participantes e 4 dos 6 grupos classificavam seus terceiros. Apenas um time da lista de terceiros passou para a fase seguinte. Mas, no geral, o nível caiu? Haiti e Panamá (Concacaf), Tunísia (CAF), Iraque, Jordânia e Uzbequistão (AFC) foram as únicas seleções que não somaram pontos na Copa - o que significa que metade dos 12 grupos teve uma espécie de “time bônus”. Já era algo esperado numa Copa do Mundo expandida, afinal, isso ocorre comumente em Copas: Copas de 2014, 2018 e 2022 tiveram três, dois e dois “times bônus”, respectivamente, nos seus oito grupos. Uma proporção menor, é verdade, mas nada escandaloso. Acontece que, por outro lado, vários times foram considerados “bônus” e contestaram as expectativas. Especialmente dois africanos estreantes: Cabo Verde e RD Congo. Vamos falar deles e do continente que mais ganhou vagas na expansão da Copa. Na Bancada A África justifica as novas vagas - Marrocos foi a primeira seleção classificada para as quartas-de-final, após bater o anfitrião Canadá por 3x0. Depois de ser semifinalista em 2022, a seleção do Norte da África volta a despontar entre os oito melhores do mundo. Algo que ainda não é uma realidade tão frequente para o continente africano, apesar do crescimento visível do futebol da região. Considerando a Copa antes da expansão para 32 seleções (a partir de França 1998), apenas o Camarões de Roger Milla esteve nessa fase. Depois da edição na França, quando a CAF passou a ter 5 vagas, apenas Senegal (2002) e Gana (2010) haviam chegado nas quartas. Aí veio Marrocos e fez história em 2022, levando a África para as semifinais pela primeira vez na história das Copas. Quando a FIFA expandiu a Copa para 48 seleções, a maior “beneficiada” foi justamente a África, que passou de 5 vagas para 9 vagas diretas, com mais uma vaga na repescagem. Assim, levou 10 representantes para a Copa de 2026, onde classificou 9 para a segunda fase - cinco de forma direta, quatro pela lista de terceiros. Só a Tunísia ficou pelo caminho. Um desempenho suficiente para justificar a prioridade na distribuição das novas vagas - apesar das tantas críticas ao possível nível das suas seleções. É certo que apenas Marrocos e Egito passaram para as oitavas (com autoridade), mas a participação foi bastante digna num todo. Senegal vacilou contra a Bélgica, mas foi superior na partida; Costa do Marfim poderia ter passado num embate equilibradíssimo contra a Noruega; RD Congo segurou bravamente a Inglaterra; Gana, que não tinha um futebol inspirador, fez jogo parelho com a Colômbia; Cabo Verde por pouco não fez história, eliminando a Argentina. Apenas África do Sul e Argélia não mereceram nota. Mas a característica que mais justifica a atual quantidade de vagas para a África é sua alta competitividade interna. Nas sete edições que a Copa contou com 32 seleções (entre 1998 e 2022), com cinco vagas, o continente africano enviou 12 representantes diferentes para o Mundial. No formato de 48, das dez vagas, a África só enviou duas novatas, RD Congo e Cabo Verde (que fizeram ótimas campanhas). Ainda assim, Nigéria e Camarões, duas das grandes forças do continente, ficaram de fora. Diferentemente do que ocorre nos demais continentes, as “potências” estão bem espalhadas pelo continente. Se separarmos os 14 africanos que jogaram as Copas desde 1998 por regiões, teríamos três grupos com números de equipes e somatórios de participações equilibrados. Participações em Copas (desde 1998) África Central + Meridional: Africa do Sul (4), Angola (2), Camarões (5) e RD Congo 4 equipes e 11 participações África do Norte: Argélia (3), Egito (2), Marrocos (4) e Tunísia (6) 4 equipes e 15 participações África Ocidental: Cabo Verde (1), Costa do Marfim (4), Gana (5), Nigéria (5), Senegal (4) e Togo (1) 6 equipes e 20 participações Dos 14 africanos que jogaram Copas desde 1998, só Angola e Togo apareceram apenas uma vez (além das estreantes). Todas as outras compareceram pelo menos quatro vezes, com exceção de Argélia (3) e Egito, que é um caso à parte: ficou de fora das edições de 1998, 2006 e 2010, mesmo sendo a grande vencedora das edições da Copa Africana das Nações (CAN) daqueles ciclos (em 1998, 2006, 2008 e 2010). Antes, Camarões (2017) e Argélia (2019) ficaram de fora da edição de 2018; e a Zâmbia, campeã em 2012, ficou de fora em 2014. O futebol africano é competido ferrenhamente por um número tão grande de equipes, que os participantes das Copas do Mundo quase nunca coincidiam como semifinalistas da CAN do mesmo ciclo. A própria CAN teve oito campeões diferentes nas dez últimas edições: Egito (2), Costa do Marfim (2), Zâmbia, Nigéria, Camarões, Argélia, Senegal e Marrocos. Em suma, é um grande acerto garantir um peso maior de seleções africanas na Copa do Mundo - embora menos de 20% ainda pareça pouco. O futebol africano é o que mais se desenvolve no planeta, e a tendência é ficar cada vez mais competitivo, principalmente por causa das políticas de recrutamento de talentos oriundos das diásporas africanas e nascidos em territórios europeus. A Copa Além da Copa Muito têm se falado (de bobagem) sobre a grande presença de jogadores de origem africana, negros e árabes, em diversas seleções europeias. Já trouxemos esse tema em edições anteriores da série, reforçando como apenas uma minúscula parte deles não é nascida de fato nesses países - França, principalmente, mas também Portugal, Bélgica, Suiça, Alemanha, Espanha, Áustria, etc. O que os companheiros do Copa Além da Copa trazem dessa vez é uma “origem” em comum de jogadores de diversas seleções dessa Copa: a extinta Iugoslávia. Menos falado por causa do tom da pele (afinal, racista ignorante só sabe encrencar com os franceses), para além de Croácia e da Bósnia, jogadores oriundos das diásporas da antiga Iugoslávia estão presentes em outras 14 seleções. Initial plugin text Um país que se dividiu em sete (ou seis): Bósnia e Herzegovina, Croácia (ambas na Copa), Sérvia (esteve em 2010 e 2018), Eslovênia (esteve em 2010), Macedônia do Norte (a do sul, em tese, está na Grécia), Montenegro e a contestada República do Kosovo. Uma história em comum e um passado de paixão pela cultura esportiva e especialmente futebolística que resiste nos gramados globais. Ludopédio - para ler o jogo Duas excelentes sugestões vêm abaixo: como o futebol serviu para a consolidação de uma identidade nacional de um país que havia acabado de conquistar sua independência e de um povo que sonhava em conquistá-la. A seleção de futebol e a identidade cabo-verdiana no pós-independência (1977-1979) Victor Andrade de Melo e Rafael Fortes – XXVII Simpósio Nacional de História da ANPUH (2013) Cabo Verde conquistou a independência de Portugal em 1975. Já nos primeiros anos como país independente, começou a participar de competições internacionais, com a seleção de futebol como símbolo da nova nação. Em 1979, a seleção cabo-verdiana disputou a Taça Amílcar Cabral – competição que reuniu Cabo Verde, Gâmbia, Guiné Conacri, Guiné-Bissau, Mali, Mauritânia, Senegal e Serra Leoa. O torneio homenageava o líder político e intelectual, um dos fundadores do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e tinha como objetivo celebrar a união africana. O futebol, em Cabo Verde, atuou na construção da identidade nacional, em meio a conflitos de projetos políticos, à herança colonial e à tensão entre o desejo de sucesso internacional e as limitações locais – falta de recursos, distância entre as ilhas e o amadorismo. Ler este após o duelo contra a Argentina é entender que a história dos “Tubarões Azuis” não começou em 2026: ela remonta a um passado colonial de resistência e luta, e o reconhecimento internacional – da menor nação a alcançar a segunda fase de uma Copa do Mundo – também passa pelo futebol. - Futebol e identidade na Argélia: a história da seleção da Frente de Libertação Nacional (1958-1962) Renato Machado Saldanha e Verônica Toledo Ferreira de Carvalho – Revista FuLiA/UFMG (2021) Por mais de 130 anos (entre 1830 e 1962), a Argélia foi colônia francesa. O processo de independência começou em 1954, com a criação da Frente de Libertação Nacional (FLN), que deflagrou uma guerra contra o domínio francês. A FLN criou uma seleção de futebol – Le Onze de l'Indépendance (Os Onze da Independência) – para atuar como instrumento de propaganda política internacional. Diversos jogadores de origem argelina que atuavam na França desertaram para integrar a equipe. A seleção viajou por 14 países (União Soviética, China, Vietnã, Polônia…), disputou mais de 90 partidas e venceu 65 delas. O papel da equipe da FLN foi fundamental para sensibilizar a opinião pública internacional à causa argelina, mas também para a construção de uma identidade nacional pelo futebol. Com a independência, em 1962, a equipe foi dissolvida, mas deixou um legado: o futebol como ferramenta de resistência e luta anticolonial. A seleção da Argélia voltou a uma fase de mata-mata depois de 12 anos. Após o confronto com a Suíça, relembrar a trajetória da Seleção da FLN é um convite a entender que o futebol, para a Argélia, é muito mais do que um esporte, é uma arma política de resistência.
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Comissões técnicas e analistas esportivos começam a traçar as projeções para os próximos desafios nas tabelas dos campeonatos, onde cada ponto e movimentação de elenco pode ditar o rumo da temporada.
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