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O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.
Inglaterra 1 x 2 Argentina | Melhores momentos | Semifinal | Copa do Mundo 2026 Atenção: esta reportagem contém dados sensíveis sobre violência sexual. O presidente da comissão de arbitragem do Ceará, Paulo Sílvio Santos, é acusado de assediar e estuprar árbitras que atuam no futebol do estado. As denúncias partiram de quatro árbitras que fazem ou recentemente fizeram parte do quadro cearense de arbitragem. Elas estiveram na Delegacia da Mulher na última terça-feira e prestaram depoimento. A polícia investiga o caso, que inclui relatos de convites inoportunos para sair, mensagens incompatíveis com o ambiente de trabalho, sugestões de favorecimento na escala, toques físicos embaraçosos e estupro. O relato das árbitras, que terão seus nomes preservados nesta reportagem, narra uma prática sistemática de assédio por parte de Paulo Sílvio pelo menos desde 2018. Paulo, de 55 anos, assumiu interinamente a presidência da comissão em 2016, com a morte do presidente anterior. Em 2017, virou presidente efetivo. Paulo Sílvio Santos, presidente da comissão de arbitragem do Ceará, é acusado de assédio sexual FCF Uma delas afirma que foi estuprada pelo presidente da comissão em janeiro de 2023. Ela contou à polícia e em depoimento formal à Federação Cearense de Futebol (FCF) que Paulo a agarrou sem consentimento e tocou em suas partes íntimas enquanto ela tentava se desvencilhar. "Ele me jogou, não com força, né, mas me colocou na cama, ficou tentando me beijar, me agarrar, fazer acontecer outra coisa. E eu dizendo que não, tentando sair de todo jeito. 'Não, me solta, me solta!'", diz um trecho do relato à FCF ao qual o ge teve acesso. Todas elas afirmam que Paulo Sílvio sugeriu favorecimento na escala dos jogos caso cedessem às investidas. E que, como não cederam, passaram a trabalhar em menos partidas. Paulo Sílvio nega todas as acusações (leia a íntegra da resposta do seu advogado mais adiante). Ele foi afastado do cargo na terça-feira, mesmo dia em que as árbitras abriram boletim de ocorrência na delegacia. De acordo com a FCF, que instaurou um inquérito interno para apurar os fatos, o pedido de afastamento ocorreu em período anterior às denúncias e é válido por 30 dias. Em 2021, em reportagem sobre a profissão do árbitro de futebol no Brasil, o ge contou a história de dois profissionais que de uma hora para outra foram cortados do quadro cearense, logo depois de terem desavenças com o presidente da comissão. "Eu fiquei muito apavorada" Uma das mulheres que denunciaram Paulo Sílvio relatou que entrou no quadro cearense de arbitragem em 2018. Ela conta que desde o início sofreu diferentes tipos de assédio por parte do presidente da comissão, como importunações e convites para sair e comer depois do trabalho. "[...] além dessas investidas, Paulo tinha o costume de abraçá-la por trás ou puxá-la de forma indevida para abraçá-la; [...] a declarante dizia que não queria essa aproximação e dizia que não queria ser chamada para sair", diz um trecho do relato no boletim de ocorrência. Árbitras afirmam que Paulo Sílvio, presidente da comissão de arbitragem, tem o hábito de apalpá-las em partes íntimas ge Em janeiro de 2023, ela e outros árbitros estavam em um evento de fim de pré-temporada, em um restaurante. Quando o local fechou, por volta das 22h, Paulo Sílvio sugeriu ir com ela e outras três pessoas a um motel no bairro Lagoa Redonda para que continuassem bebendo e celebrando. Eles foram. No quarto do motel, havia uma área interna e uma área externa. De acordo com a denúncia, Paulo Sílvio a levou para dentro, enquanto as outras pessoas ficaram na piscina da parte externa. O presidente, então, jogou-a na cama e continuou agarrando-a, ignorando os protestos e as negativas da vítima. Em seguida, ela conseguiu se desvencilhar e foi até o banheiro. Paulo Sílvio a seguiu, voltou a agarrá-la e colocou o dedo em suas partes íntimas. Por fim, a árbitra se soltou do agressor e se juntou ao grupo na piscina. Outras duas pessoas presentes confirmam que viram a vítima saindo do quarto nervosa e chorando. - Eu procurei terapia e me afastei de muita coisa da arbitragem. É por isso que me dói tanto falar desse assunto, porque não foi fácil, eu não esperava que uma pessoa que tem o cargo dele fosse capaz de fazer isso. Eu fui na confiança, tinha outras pessoas em que eu confiava, [...] tinha total confiança que nada disso ia acontecer, então eu fiquei muito apavorada - disse a vítima em depoimento à FCF. "Às vezes você tem medo, ou (fica) sem jeito de sair. Porque é fácil dizer assim 'Ah é só sair, é só dizer não', mas nem todo mundo lida bem com o não. E ele, por ter um cargo alto, achava que todo mundo tinha que fazer as coisas que ele quer", acrescentou. Vítimas procuraram a federação No mês passado, acompanhadas de dois advogados, as vítimas procuraram a Federação Cearense de Futebol para pedir ajuda e formalizar uma denúncia. Como o presidente da federação, Mauro Carmélio Santos, estava nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo, uma reunião foi marcada para depois de sua volta. O encontro ocorreu na última sexta. Na ocasião, os relatos foram colhidos, e as vítimas apresentaram uma notificação extrajudicial. A defesa das árbitras acusa a federação de negligenciar as acusações contra Paulo Sílvio. Veja a nota dos advogados: "Apesar da seriedade das acusações e da robustez do material apresentado, a Federação Cearense de Futebol não adotou qualquer medida efetiva de proteção às árbitras, tampouco instaurou procedimento transparente de apuração, permanecendo inerte diante de fatos extremamente graves que envolvem uma de suas principais autoridades no âmbito da arbitragem estadual. Paulo Silvio, da Federação Cearense de Futebol Pedro Chaves / FCF Causa especial preocupação o fato de que somente após a Federação tomar conhecimento de que as vítimas haviam formalizado as denúncias perante a Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e iniciado os procedimentos criminais cabíveis é que foi divulgada nota pública informando o suposto afastamento temporário do Sr. Paulo Silvio dos Santos pelo período de 30 dias". Por sua vez, a FCF disse que instaurou um Procedimento Interno de Apuração e que entregou o comando dos trabalhos de investigação para uma mulher. Veja o que diz a defesa de Paulo Sílvio Santos: "Em atenção ao contato realizado, a defesa do Sr. Paulo Silvio Santos esclarece que tomou conhecimento das notícias envolvendo as denúncias não por comunicação oficial das autoridades competentes, mas por meio de publicações em redes sociais e de informações disseminadas por terceiros, circunstância que causa estranheza, sobretudo porque se trata de fatos submetidos à apuração policial e que deveriam ser tratados com a necessária reserva, em respeito à investigação, às pessoas envolvidas e às garantias legais de todos os interessados. O Sr. Paulo Silvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito. As declarações divulgadas até o momento representam versões unilaterais apresentadas perante a autoridade policial, as quais serão devidamente analisadas no curso da investigação. A defesa confia que a apuração será conduzida com imparcialidade, observando-se o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência, garantia constitucional que impede qualquer juízo antecipado de responsabilidade. Por orientação jurídica, o investigado não comentará individualmente os relatos ou pessoas mencionadas, justamente para preservar a lisura da investigação e evitar qualquer interferência na produção das provas. O Sr. Paulo Silvio permanece à inteira disposição da Polícia Civil e das demais autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, certo de que os fatos serão devidamente esclarecidos por meio da prova produzida no procedimento investigatório. A defesa manifesta, ainda, preocupação com a divulgação pública de alegações antes mesmo de qualquer oitiva do investigado ou da conclusão das investigações, situação que pode comprometer a honra, a imagem e a própria efetividade do devido processo legal. Espera-se que todas as instituições e os veículos de comunicação conduzam o tratamento do caso com responsabilidade, equilíbrio e respeito às garantias constitucionais de todos os envolvidos". Veja o que diz a Federação Cearense de Futebol: "A Federação Cearense de Futebol informa que, na sexta-feira, dia 10 de julho de 2026, a Presidência e a Diretoria Jurídica da entidade receberam as árbitras denunciantes, acompanhadas de seus representantes legais, ocasião em que ouviram seus relatos e receberam documentos e demais informações relacionadas às acusações formuladas em desfavor do investigado. Desde o recebimento das informações, a FCF passou a adotar as providências administrativas e jurídicas necessárias para que os fatos fossem apurados de maneira responsável, imparcial e segura, considerando a gravidade das denúncias, a proteção das denunciantes e os direitos de todas as pessoas envolvidas. Na terça-feira, dia 14 de julho, segundo dia útil após a reunião, foi oficialmente instaurado o Procedimento Interno de Apuração, com a constituição de uma comissão independente da Comissão de Arbitragem e do investigado, registrando-se a sindicância nº 01/2026. A presidência dos trabalhos será exercida por uma mulher, a quem caberá conduzir a apuração e coordenar as diligências necessárias. Os fatos objeto desta sindicância serão apurados em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da Confederação Brasileira de Futebol, ao qual se encontram submetidos a Federação Cearense de Futebol, todos os seus membros e as pessoas direta ou indiretamente subordinadas à entidade. Qualquer procedimento de natureza ética deverá observar rigorosamente as regras constitucionais e legais, submetendo-se aos princípios da ampla defesa e do contraditório, garantindo-se ao investigado a oportunidade de se manifestar no momento oportuno e de apresentar suas considerações sobre os fatos apurados. O procedimento tramita em regime de acesso restrito, com o objetivo de preservar a intimidade, a segurança e os dados pessoais e sensíveis das denunciantes, das testemunhas e das demais pessoas envolvidas. O caráter reservado da apuração não representa ausência de transparência, mas medida necessária à proteção das pessoas envolvidas e à regularidade dos trabalhos. A Federação informa expressamente que o procedimento encontra-se sob sigilo, não sendo permitida a divulgação de qualquer material pertinente aos trabalhos. Eventuais vazamentos de informações podem gerar a nulidade do processo, prejudicando o andamento das investigações e, consequentemente, a punição daqueles que se encontrem direta ou indiretamente envolvidos no caso. Entre as providências determinadas estão: A preservação imediata de documentos físicos e eletrônicos potencialmente relacionados aos fatos; A proibição de qualquer contato do investigado com as denunciantes e testemunhas a respeito das ocorrências apuradas; A vedação de qualquer forma de retaliação, intimidação, constrangimento ou prejuízo profissional; A adoção de critérios objetivos e de controle institucional sobre decisões funcionais que envolvam as denunciantes; A possibilidade de apresentação de novos documentos, testemunhas, fatos e pedidos de proteção; A prevenção da repetição desnecessária de depoimentos, com o objetivo de evitar constrangimentos. A Federação não se limita à investigação da pessoa inicialmente denunciada, podendo novos personagens surgirem no decorrer da apuração, já que a entidade não tolera qualquer prática das condutas mencionadas. Nesse contexto, a Federação poderá submeter o caso à Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol, bem como adotar medidas de natureza administrativa e disciplinar, sem prejuízo da comunicação ao Ministério Público e da adoção de outras providências legais cabíveis. Outro ponto importante, é que o investigado havia requerido pedido de licença em momento anterior ao procedimento de apuração, em razão disso encontra-se licenciado do exercício das suas atividades pelo prazo de 30 dias, razão pela qual o pedido de afastamento apresentado pelas denunciantes fica, neste momento, prejudicado. Durante a licença, ele não poderá exercer atribuições inerentes à função, participar de atividades institucionais da arbitragem, acessar sistemas, documentos ou grupos relacionados ao setor, nem emitir orientações ou determinações aos seus integrantes. A licença não interrompe nem prejudica o andamento da apuração. A FCF também disponibilizou o endereço eletrônico sindicancia@futebolcearense.com.br para o recebimento reservado de outras denúncias, relatos, documentos, informações ou comunicações sobre eventuais retaliações relacionadas ao caso. A Comissão possui autonomia para requisitar documentos, ouvir as pessoas envolvidas, receber novos elementos e recomendar medidas adicionais de proteção ou outras providências institucionais. Ao término dos trabalhos, será elaborado relatório circunstanciado, a partir do qual serão adotadas as medidas administrativas e institucionais cabíveis, sem prejuízo da atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Nesse sentido, o Presidente da FCF em exercício, Dr. Mauro Carmélio Santos Costa Neto, bem como a Diretoria Jurídica na pessoa dos Drs. Eugênio Vasques e Leandro Vasques, recomendaram que as partes procurassem as autoridades de competência criminal pertinentes, com intuito de registrar as ocorrências apontadas. A Federação Cearense de Futebol reafirma que não tolera qualquer forma de assédio, violência, discriminação ou abuso de poder e que colaborará integralmente com as autoridades competentes, preservando o sigilo necessário, a dignidade das pessoas envolvidas e a regularidade das investigações. Federação Cearense de Futebol – FCF 15 de julho de 2026".
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