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Análise: Argentina sobrevive por 106 minutos, mas não é salva por Messi e leva "olé" histórico

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Análise: Argentina sobrevive por 106 minutos, mas não é salva por Messi e leva "olé" histórico

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O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.

Quantas vidas a Argentina tinha para gastar na Copa do Mundo? Era possível bater a Scaloneta depois de tantas reviravoltas? Demorou, mas as perguntas que ficaram em aberto ao longo de todo o mata-mata tiveram uma resposta - negativa para os hermanos. Não, não foi possível mais uma vez que Messi se tornasse herói e salvasse a Argentina. Não, não deu para sobreviver a mais uma atuação abaixo da média. A Argentina até conseguiu impedir por 106 minutos seu iminente destino na final da Copa do Mundo. Mas, ao fim, sucumbiu a um "olé" histórico da Espanha e acabou com mais um vice-campeonato mundial. Claramente afetado pelo desgaste físico da campanha e sem um modelo de jogo 100% definido, o time de Lionel Scaloni foi superado durante quase todos os 120 minutos de jogo no Estádio de Nova York/Nova Jersey. Durante o tempo regulamentar, os tricampeões mundiais não foram capazes de finalizar uma vez sequer. Foi um domínio do qual a equipe não havia sido vítima ainda ao longo da Copa, apesar dos altos e baixos da trajetória. Messi, o salvador tantas vezes em sua melhor Copa do Mundo da carreira, teve uma final melancólica. Foi neutralizado praticamente em todos os lances pelo efetivo sistema de jogo espanhol. Sem poder acionar sua grande referência, a Scaloneta viveu um drama e não encontrou soluções - nem os jogadores em campo, nem o técnico à beira do gramado, que ainda precisou substituir sua dupla de zaga titular. A verdade é que o 0 a 0 que persistiu até o primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação era mais que lucrativo para uma equipe que ainda amargou a expulsão de Enzo Fernández ainda no tempo regulamentar. Um empate que, acima de tudo, se mostrava injusto com o cenário da final. Para sorte da Espanha, os deuses do futebol estavam favoráveis à justiça na decisão de 2026. Não teve roteiro heroico que impedisse a derrota argentina. Scaloni muda, e time reage mal Para enfrentar uma seleção que havia sofrido apenas um gol e também dominava o meio de campo facilmente, Lionel Scaloni optou por mudanças, como a entrada de Nico González para ter mais uma opção pelas laterais do campo. Porém, a saída de Paredes para a volta de De Paul surpreendeu - e se mostrou uma escolha equivocada do comandante. A Argentina até tentou esboçar uma pressão na saída de bola espanhola, mas viu que a estratégia seria perigosa e aos poucos entrou no ritmo do adversário. Apesar dos dois times terem no DNA o gosto pela posse e pela troca de passes, a Espanha logo se impôs. Depois de um começo de jogo no qual os argentinos tentaram aproveitar a linha alta espanhola, os europeus começaram a levar o duelo para onde queriam . A Argentina, aos poucos, se viu envolvida, e seus defensores precisaram correr bastante para impedir que os avanços constantes virassem chances de gol. O trabalho dos quatro homens da última linha de Scaloni foi preciso, mas cansativo. A Espanha, como sempre, trabalhava com seus zagueiros no limite do erro, mas sem qualquer desespero. Os hermanos tentaram deixar o duelo mais físico, sempre apostando em bolas longas e tentativas de jogada em velocidade. Era um indício de que faltaria repertório ao longo da partida. Os problemas começaram a surgir quando Lisandro Martínez caiu no campo aos 43 minutos e precisou ser substituído por Otamendi. A Argentina começou a pagar caro pelo desgaste físico do mata-mata, que incluiu duas viradas intensas e a disputa de duas prorrogações. Desgaste físico cobra caro O primeiro tempo terminou sem qualquer finalização da Argentina - embora a Espanha, que dominou as ações, também não tenha criado muitas chances perigosas. Para a etapa final, Scaloni tentou voltar ao esquema que havia encontrado nos jogos anteriores e colocou Paredes no lugar de Nico González. A mudança ajudou a Argentina na saída de bola inicialmente, mas logo a Scaloneta seguiu sendo envolvida. Para evitar que a Espanha abrisse o placar, os defensores seguiam se multiplicando. Um diferencial da campanha apareceu diversas vezes: os argentinos se dedicavam muito, com carrinhos e desarmes competentes. E logo depois de um momento de grande pressão dos europeus, Scaloni precisou fazer outra mudança no miolo da zaga por problemas físicos: Romero deu lugar a Medina. O desgaste era claro, inclusive de Messi, que conseguia limpar a marcação de um, dois adversários, mas logo se via cercado por mais um. A Espanha era bem precisa na recomposição - diferentemente dos adversários anteriores da Argentina no mata-mata. Isso anulou as chegadas em velocidade que foram usadas em alguns momentos da campanha. As entradas de Nico Williams e Merino deixaram o cenário ainda mais complicado para a Argentina, que começou a tentar ganhar tempo utilizando as velhas táticas de sempre. Quando o jogo se aproximava do fim, os sul-americanos até pareciam estar com um homem a menos, apenas resistindo e aguardando o apito final. E o cenário hipotético se tornou real quando Enzo Fernández levou o segundo cartão amarelo depois de chegar atrasado em dividida com Cubarsí. De forma quase inexplicável, a Argentina sobreviveu aos 90 minutos mesmo sem dar um chute sequer. Na prorrogação, Dibu Martínez começou a aparecer para parar um ataque espanhol que aos poucos se mostrava mais efetivo. Nico Williams chegou a fazer um gol - que acabou anulado pelo VAR por falta. No começo do segundo tempo, porém, quem estava nas cordas acabou sucumbindo: Ferrán Torres marcou após levantamento escorado por Nico Williams. A postura argentina mudou instantaneamente, como em outras vezes que o time esteve à beira da eliminação na Copa. Marcação alta, raça, divididas duras. Porém, a Espanha reagiu bem, com sua característica de troca de passes. A torcida espanhola começou a gritar "Olé". A Scaloneta até teve chances de empatar, como a sobra de bola que Giuliano Simeone isolou. Claro, um golpe de sorte poderia ter mudado o rumo do jogo, levado a decisão para a disputa de pênaltis - um cenário que deu o tri aos argentinos no Catar. Mas não houve cruzamentos ou tentativas desesperadas que mudassem o cenário. Apesar da luta, a Argentina de Scaloni enfim foi derrotada. Um cenário que quase se concretizou quatro vezes nos Estados Unidos antes da grande decisão no MetLife. Para que a sorte sorrisse de novo faltou muito de Messi, muito de Scaloni - e também muito futebol.

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Juliana Mendes

Colaborador editorial e correspondente jornalístico especializado no portal Manchete Brasil.

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