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O mundo dos esportes segue muito movimentado nas últimas horas, com novidades táticas, atualizações de tabelas e negociações de destaque movimentando o cenário esportivo brasileiro.
Brasil 1 x 2 Noruega | Melhores momentos | Oitavas de final | Copa do Mundo 2026 E então parece mesmo que a narrativa desta eliminação vai girar em torno da posse de bola. Se a cada queda do Brasil o exercício nacional é escolher um vilão, um tema que explique um todo muito mais complexo, aparentemente 2026 será a Copa que a seleção perdeu porque teve pouco mais de 30% de domínio da bola contra a Noruega. O diagnóstico acaba criando a oportunidade para mergulhar em algumas confusões produzidas quando se discute a estatística. Por vezes tratamos a posse como uma finalidade, ou como um sintoma de sucesso. Em outros casos, quase como uma questão moral, como um compromisso da seleção brasileira, do futebol nacional. O tema é profundo e complexo. Carlo Ancelotti orienta jogadores da Seleção durante a partida contra a Noruega REUTERS/John Sibley A posse pode, ou não, ser parte da estratégia, um meio para atingir objetivos. Não se joga para tê-la, mas há times que precisam da posse para jogar, para produzir. Outros controlam partidas sem a bola: induzem o rival a atacar por onde lhes é mais conveniente, roubam e tentam chegar logo ao gol rival. No caso da eliminação de domingo, ter a bola por longos períodos não era parte fundamental do plano de Ancelotti. Não que a rejeitasse, mas o Brasil poderia, ou não, acumular mais tempo com a bola. O que não se dispôs a fazer era comprometer recursos, jogadores em grande quantidade, para pressionar a saída de bola norueguesa. Mesmo participando pouco da partida, Haaland, o melhor jogador dos 22 que entraram em campo, o talento de exceção da partida, estava condicionando quase todas as decisões. Mais jogadores pressionando no campo ofensivo significaria ter menos gente no campo de defesa, mais espaço para Haaland transformar os duelos em bolas longas em disputa mano a mano, e mais chance para a Noruega ganhar segundas bolas. E é difícil sustentar que o plano não dava certo. O Brasil defendia num bloco um pouco mais baixo, recuperava e tinha, com alguma sobra, as melhores chances do jogo. Se não era um controle total, pode-se dizer que a partida era jogada muito mais no terreno que a seleção de Ancelotti pretendia. Até que a entrada de um Neymar sem qualquer capacidade de combate e a reacomodação de Endrick e Vinícius pelos lados fizeram o time perder a capacidade de defender bem os corredores, permitindo cruzamentos. Além disso, o conforto dado aos noruegueses passou a ser excessivo. Como se a dose do remédio fosse alta demais, o Brasil, que já não pretendia ser um time que pressionasse, aí sim permitiu aos adversários ter tempo demais com a bola. Outra vez, a posse não era um instrumento dos noruegueses para atacar sempre. Era também defensiva. Mas, com ela, foram criando volume e chegando a zonas de cruzamento para a área. Mas voltando ao choque nacional com os 30% de posse, é curioso como ligamos o número à tradição, ao peso da camisa. “Como pode uma seleção brasileira ter menos posse do que a Noruega?” Bom, pode. Tivesse o pênalti de Bruno Guimarães sido convertido, ou uma das ótimas chances brasileiras terminado em gol, provavelmente Ancelotti estivesse sendo saudado como estrategista. Outro aspecto é como resistimos a nos render ao mundo real do futebol de seleções. Quando mostramos certa repulsa a uma baixa posse contra a Noruega, além de um entendimento defeituoso da real serventia dessa estatística, partimos de uma premissa que já não é válida. Quando o Brasil voltar a ganhar uma Copa do Mundo, dificilmente será com sobras. Será com sofrimento, jogos apertados, estratégia e muito trabalho. Porque hoje, mais de uma dezena de seleções do mundo têm jogadores em alguma posição de que mesmo as equipes mais fortes do planeta não dispõem. O jogo hoje é global, pertence ao mundo todo. O futebol brasileiro pode não ter sua melhor geração, pode não estar conseguindo produzir a quantidade de extraclasses de outros tempos, ou mesmo pode estar vivendo uma crise em posições como a lateral ou o meio-campo. No entanto, mais do que a seleção, mudaram os adversários. Aumentou a quantidade de times bons. E mesmo os que ainda são mais frágeis têm seus representantes na elite do jogo. Então, jogar com Noruegas, Bélgicas e Croácias é duríssimo, e o mata-mata desta Copa do Mundo é uma vitrine do futebol globalizado. E quando dizemos que ter pouca posse de bola é contracultural, esquecemos do básico: contracultural em relação a quê? Se for à história, é possível concordar. Se for a uma idealização, também. Mas nos últimos anos, que tipo de jogo a CBF decidiu que a seleção iria praticar? Qual a base de ideia de futebol implantada no país? A seleção teve o interino Ramon Menezes, um amor platônico e um romance por correspondência com Ancelotti durante dois anos, um treinador de meio expediente com Fernando Diniz e até um Dorival Júnior como técnico efetivo, mas desacreditado e esvaziado desde o primeiro dia pelos mesmos dirigentes que o contrataram. Então, como cobrar de uma comissão técnica de 17 jogos um compromisso com estilo, com estética? Ninguém é capaz de dizer quando a seleção irá ganhar outra Copa. Mas o único caminho é trabalhar para montar um time. Tudo o que não se fez nos últimos quatro anos. E, com um projeto de futebol sólido, é possível escolher como se pretende jogar.
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