Fama, Cultura e Repercussão
A cultura pop, a vida das celebridades e os bastidores das produções de TV movimentam a internet e geram grande repercussão entre fãs e seguidores do segmento nas últimas horas.
Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, um dos personagens centrais da história do cinema brasileiro, morreu nesta quarta-feira (22) no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, ele construiu uma carreira que atravessou décadas e acompanhou as principais transformações do audiovisual no país. Produtor, diretor, fotógrafo e jornalista, participou de mais de 100 filmes e ajudou a consolidar o Cinema Novo como um dos movimentos mais influentes da cultura nacional. Nasceu em 1928, em Sobral, no Ceará, e Barretão passou a infância em Fortaleza. Foi ali que nasceu sua paixão pelas telas, alimentada pelas longas horas que passava nas salas de cinema da cidade. Ainda jovem, ingressou no jornalismo e acabou deixando o Ceará após sua atuação em um jornal ligado ao Partido Comunista. Em 1947, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciaria a trajetória que o transformaria em uma referência do cinema brasileiro. O cineasta Luiz Carlos Barreto Fabio Motta/Estadão Conteúdo Antes de encontrar seu caminho definitivo atrás das câmeras, quase seguiu carreira nos gramados. No Rio, integrou as categorias de base do Flamengo e chegou a ser convocado para a seleção brasileira que disputaria os Jogos Olímpicos de Londres, em 1948. A experiência, porém, foi interrompida, e Barreto retornou ao jornalismo após servir ao Exército. Encontro com Glauber Rocha abriu as portas do cinema Foi como fotógrafo que ganhou projeção nacional. Trabalhou em publicações importantes da época, como "A Cigarra" e "O Cruzeiro", uma das revistas mais influentes do país. Como fotojornalista, registrou acontecimentos históricos, entre eles a conquista da Copa do Mundo de 1958 pela seleção brasileira e momentos marcantes da trajetória de Pelé. A entrada definitiva no cinema aconteceu a partir do encontro com Glauber Rocha. A parceria o levou a participar de "Assalto ao Trem Pagador" (1962), filme inspirado em um caso policial real e considerado um marco do cinema brasileiro. A partir dali, Barreto passou a integrar o grupo de realizadores que buscava retratar as contradições sociais do país e construir uma linguagem cinematográfica autenticamente brasileira. Sua contribuição para o Cinema Novo foi decisiva. Como diretor de fotografia, assinou a imagem de clássicos como "Vidas Secas" (1963), adaptação da obra de Graciliano Ramos dirigida por Nelson Pereira dos Santos. Para retratar a aridez do sertão, apostou em uma fotografia crua, marcada pela intensa luminosidade natural. O longa se tornou um dos filmes mais importantes do movimento e chegou a disputar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Paulo Autran em cena de 'Terra em transe' Divulgação 'Terra em Transe' e o apelido 'barão do cinema brasileiro' Poucos anos depois, voltou a trabalhar com Glauber Rocha em "Terra em Transe" (1967), outro marco do cinema nacional. A fotografia de contrastes intensos ajudou a construir a atmosfera alegórica do filme, que abordava questões políticas em meio ao período da ditadura militar. Embora tenha deixado sua marca atrás das câmeras, foi como produtor que Barreto ampliou sua influência. À frente da própria produtora e também em sua passagem pela Embrafilme, participou da busca por novos modelos de financiamento para o setor e esteve por trás de alguns dos maiores sucessos do cinema nacional. A capacidade de transformar projetos ambiciosos em filmes de grande alcance lhe rendeu o apelido de "barão do cinema brasileiro". O cinema também se tornou um empreendimento familiar. Ao lado da esposa, Lucia Barreto, e dos filhos Paula, Fabio e Bruno Barreto, ajudou a construir uma das famílias mais influentes do audiovisual brasileiro. Entre suas produções mais emblemáticas está "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), que permaneceu por décadas como a maior bilheteria da história do cinema nacional. Também produziu títulos como "Bye Bye Brasil", "Memórias do Cárcere", "Inocência" e "O Beijo no Asfalto". Mauro Mendonça, Sônia Braga e José Wilker, em cena de Dona Flor e Seus Dois Maridos Reprodução Nas décadas seguintes, seguiu participando de projetos relevantes para o cinema brasileiro. A família Barreto esteve associada a duas das indicações do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: "O Quatrilho" (1995) e "O Que É Isso, Companheiro?" (1997). Mais recentemente, produziu obras inspiradas em figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o maestro João Carlos Martins. Ao longo de mais de nove décadas de vida, Luiz Carlos Barreto testemunhou e ajudou a contar parte da história do Brasil. Fotógrafo, jornalista, cineasta e produtor, foi um dos responsáveis por levar para as telas personagens, conflitos e paisagens que ajudaram a definir a identidade do cinema nacional. Seu legado permanece vivo em algumas das obras mais importantes já realizadas no país.
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