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Trabalhador idoso é resgatado após quase oito anos em isolamento na Amazônia

Informações oficiais atualizadas sobre os principais acontecimentos de interesse nacional.

Trabalhador idoso é resgatado após quase oito anos em isolamento na Amazônia

Principais Fatos sob Análise

Um acontecimento de relevância nacional mobiliza as atenções públicas no país nas últimas horas. A nossa equipe de apuração de fatos levantou as principais frentes de informação para contextualizar a matéria.

Homem trabalhava em condições análogas à escravidão. AFT Um trabalhador de 65 anos que não teve a identidade divulgada foi resgatado em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural no interior da Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal em Altamira, cidade a 813 km de Belém, no sudoeste do Pará. O caso foi confirmado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT). Segundo o órgão, o homem vivia há oito anos no local, sozinho, sem água potável, com alimentação precária e em uma moradia degradante. A operação de resgate foi realizada neste mês e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF). As denúncias tiveram origem em inspeções anteriores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do próprio MPT. Isolamento na floresta Agora no g1 ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp De acordo com a AFT, desde novembro de 2018 o trabalhador exercia sozinho atividades de manutenção e conservação da propriedade. Ele era responsável pela vigilância da fazenda, manutenção da pista de pouso, manejo dos animais e cultivo de pequenas lavouras para subsistência. A fiscalização informou que ele vivia em completo isolamento, em uma área cercada por floresta, sem acesso regular a serviços públicos, meios de comunicação, atendimento médico ou condições mínimas de dignidade. Segundo os órgãos envolvidos, o acesso ao local só era possível por via aérea ou fluvial. A equipe de resgate utilizou um helicóptero da PF, partindo de Altamira em um deslocamento de aproximadamente duas horas de voo até a propriedade. Água barrenta e alimentação precária Entre as irregularidades constatadas pela fiscalização estava a falta de água potável. Segundo o relatório, o trabalhador consumia água retirada diretamente do rio Pardo, armazenada em recipientes reutilizados de óleo lubrificante de motor. Ele aguardava a decantação do barro antes de consumi-la, mas a água ainda permanecia turva e imprópria para o consumo. De acordo com o trabalhador, a alimentação era composta basicamente por arroz, feijão, óleo, sal e alguns temperos enviados esporadicamente pelo empregador. O idoso contou que que houve períodos em que o homem passou anos sem consumir carne bovina ou de frango. Do rio, o homem pescava piranhas e consumia apenas a cabeça, destinando o restante aos porcos. Ainda segundo o relato do trabalhador, em determinado período de 2025, ficou cerca de três meses sem receber mantimentos. Sobreviveu apenas das abóboras que cultivava e das piranhas que pescava, preparadas somente com óleo e sal. Diante da escassez, o homem chegou a cogitar abandonar o trabalho, mas desistiu com medo de perder os direitos trabalhistas. Moradia degradante De acordo com a fiscalização, o trabalhador vivia sozinho em um barraco de madeira em condições extremas. As paredes do quarto tinham tábuas desalinhadas e repletas de frestas, deixando o interior exposto às intempéries e à entrada de animais. O telhado tinha goteiras e parte do piso era de terra batida. A cama era coberta de detritos e dividia espaço com lixo acumulado. A cozinha, segundo o órgão, era uma estrutura rústica de madeira, aberta em duas laterais, exposta a animais e vetores. Os alimentos eram preparados em um fogão a lenha improvisado, coberto por fuligem. Mantimentos abertos e frutas ficavam armazenados diretamente sobre uma mesa suja, junto a ferramentas de trabalho. Ainda conforme a fiscalização, porcos circulavam livremente sob a residência, e o aparecimento de cobras era frequente. O trabalhador relatou ter sido picado duas vezes por jararaca. Ele detalhou que, durante parte da noite, ficava em vigília para matar morcegos que atacavam os porcos. Segundo o trabalhador, o banheiro estava inutilizado havia cerca de quatro anos. Ele fazia as necessidades fisiológicas no mato. Para tomar banho, o idoso precisava ir ao rio, onde, como relatou, foi ferroado por arraias duas vezes. De acordo com a equipe de resgate, a iluminação da casa era fornecida por apenas duas lâmpadas alimentadas por uma pequena placa solar. No quarto em que dormia, não havia luz alguma. Longos períodos sem contato humano De acordo com a fiscalização, durante anos o trabalhador permaneceu praticamente sozinho na propriedade. Os mantimentos eram levados esporadicamente. Em alguns períodos, ficou até três anos sem contato com familiares. Sem sinal de telefonia ou internet, vivia completamente isolado. Segundo o relato do trabalhador, quando precisou buscar atendimento médico por fortes dores nos rins, percorreu aproximadamente 27 quilômetros a pé em mata fechada durante cerca de um dia e meio até alcançar o local onde morava outro trabalhador da fazenda. Extrema vulnerabilidade social Além das condições degradantes, a equipe identificou uma situação de elevada vulnerabilidade social. De acordo com os órgãos, o trabalhador tem 65 anos, é analfabeto, apresenta severa deficiência auditiva e problemas de visão. Após o resgate, a força-tarefa informou que providenciou a emissão de uma nova carteira de identidade, inscrição no CPF, encaminhamento para atendimento médico e início dos procedimentos para requerimento de benefício previdenciário ou assistencial. Além disso, foram adquiridas roupas, produtos de higiene, alimentos e um telefone celular, que permitiram ele restabelecer contato com familiares no Maranhão, em Goiás e em São Félix do Xingu (PA), cidade onde ficará. Durante a operação, segundo a AFT, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta prevendo o pagamento das verbas rescisórias e indenização por danos morais. Foram emitidas guias de seguro-desemprego e outras providências para garantia dos direitos trabalhistas e sociais do homem. Denúncias Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima pelo Sistema Ipê, disponível no site da Secretaria de Inspeção do Trabalho.

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Análise e Perspectivas

Especialistas e analistas de mercado apontam que eventos desta natureza demandam um acompanhamento contínuo dos setores envolvidos, cujos reflexos devem se estender pelas próximas semanas no cenário nacional.

O portal Manchete Brasil continuará monitorando as atualizações em tempo real e emitirá novos boletins informativos à medida que novos comunicados forem formalizados pelas autoridades competentes.

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Redação Manchete Brasil

Colaborador editorial e correspondente jornalístico especializado no portal Manchete Brasil.

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